Serviços e apoio
Avaliação de Necessidades
Antes de escolher equipamento, perceber a situação: quem vai usar, que medidas tem, em que casa vai entrar, que ajuda existe e por quanto tempo é preciso.
A maior parte das compras que correm mal em produtos de apoio não erra a marca — erra a medida, o espaço ou o tempo. A cadeira certa que não passa na porta da casa de banho. A cama elétrica comprada para três semanas de pós-operatório. O colchão antiescaras escolhido para um risco que afinal era outro. A grua que exige duas pessoas quando em casa só está uma.
Nenhum destes erros se resolve depois. Resolvem-se antes, com meia dúzia de perguntas e algumas medidas — e é isso que aqui se faz, antes de haver equipamento escolhido e antes de haver orçamento.
O que corre mal quando o equipamento não serve
Usar uma cadeira de rodas ou um andarilho com medidas erradas não é como calçar um sapato apertado — não é só desconforto, e não passa com o tempo.
- ✓ Desvios de postura. Um assento largo de mais ou um encosto baixo empurram o tronco para o lado e para a frente. Com os meses, isso instala-se.
- ✓ Feridas por pressão. Um assento estreito, ou apoios de pés à altura errada, concentram o peso onde ele não devia estar. É a consequência mais grave e a mais demorada a sarar.
- ✓ Sobrecarga das articulações. Canadianas ou muletas à altura errada obrigam ombros, cotovelos e punhos a trabalhar a mais, todos os dias.
- ✓ Cansaço a mais. Se é preciso esticar o braço para alcançar o aro de propulsão, a energia acaba antes do passeio.
- ✓ Quedas. E, depois da primeira, o medo de voltar a sair — que limita tanto como a queda.
As medidas que contam
Não são muitas, e são quase sempre as mesmas. Deixamo-las aqui para que possa verificar o equipamento que já tem em casa, ou perceber o que lhe vamos perguntar.
Cadeira de rodas
Largura do assento: deve sobrar cerca de dois dedos — 2 a 4 cm — entre a anca e o apoio lateral. Mais do que isso e a pessoa fica solta, inclina-se para o lado e perde força na propulsão.
Profundidade: quatro dedos entre a parte de trás do joelho e o bordo do assento, com os pés bem assentes nos apoios. Se os joelhos ficam altos, o peso todo cai sobre os ísquios.
Encosto: a altura depende do controlo de tronco. Deve apoiar com firmeza sem prender o movimento dos ombros.
Apoios de braços: à altura em que os ombros ficam descontraídos e os antebraços pousam com naturalidade — sem levantar os ombros nem obrigar a curvar.
Canadianas e muletas
O peso vai nas mãos, nunca nas axilas. Apoiar o corpo na axila comprime nervos e pode dar dormência, formigueiro e perda de força no braço. Nas muletas axilares, o topo fica cerca de três dedos abaixo da axila.
Altura do punho: de pé e com a muleta no sítio, o cotovelo deve ficar dobrado 20 a 30 graus. Mais baixo obriga a curvar; mais alto tira força ao impulso.
Andarilho
De pé, com o calçado do dia a dia e os braços soltos ao lado do corpo, as pegas devem ficar à altura da dobra do pulso, deixando os cotovelos ligeiramente dobrados, uns 15 graus.
Alto de mais encurva os ombros; baixo de mais obriga a andar dobrado — e as duas coisas aumentam o risco de queda.
E depois, outra vez
As medidas certas de hoje podem não ser as de daqui a um ano. Uma alteração de peso, ou a evolução da situação clínica, muda o que serve.
Por isso vale a pena rever o equipamento de tempos a tempos, e não só quando alguma coisa começa a doer.
O que se avalia
A pessoa
Peso e altura, largura de anca para o assento, a mobilidade que ainda tem, o que consegue fazer sozinha e o que já não consegue, quantas horas passa sentada ou deitada, e se há feridas ou risco de as ter.
A casa
Largura de portas e corredores, degraus à entrada, elevador, espaço a toda a volta da cama, e a casa de banho — que é onde o equipamento mais vezes não cabe e onde acontecem mais quedas.
Quem cuida
Se há uma pessoa ou duas, que força têm, se estão presentes todo o dia ou só a certas horas. É isto que separa um equipamento manual de um elétrico, e uma transferência com tábua de uma com grua.
Por quanto tempo
Uma recuperação de semanas, uma situação que se mantém, ou uma condição que vai agravando. É esta resposta que decide entre alugar e comprar, e que evita comprar hoje o que daqui a três meses já não serve.
Como funciona
- ✓ Descreva a situação — por WhatsApp, telefone ou email, com as suas palavras. Não precisa de saber nomes de equipamentos.
- ✓ Fazemos as perguntas que faltam e pedimos as medidas e as fotografias que interessam — do espaço, da porta, da cama, da casa de banho.
- ✓ Se for preciso ver no local, combina-se a visita com o parceiro da rede mais adequado ao seu caso — e diz-se antes o que custa.
- ✓ Recebe as opções que servem — normalmente mais do que uma, com a diferença entre elas explicada, e a indicação do que faz sentido alugar em vez de comprar.
Nada disto obriga a comprar. Se do levantamento resultar que o que precisa não é um equipamento nosso — que é uma obra, uma adaptação ou um encaminhamento clínico —, é isso que lhe dizemos.
O que tem custo e o que não tem
À distância — sem custo
As perguntas, as medidas que nos dá e as fotografias que nos envia. É assim que se resolve a maior parte dos casos, e não lhe custa nada nem o obriga a comprar seja o que for.
No local — conforme a deslocação
Há situações que só se percebem lá: uma casa de banho apertada, uma escada com curva, um quarto onde a cama não roda, uma transferência que é preciso ver acontecer.
Nesses casos desloca-se um técnico, e isso é tempo dele e quilómetros. Conforme a localização e o que a visita exija, pode ter custo — dito antes de a marcarmos, e só se avança se concordar.
Vale a pena pôr esse valor ao lado do outro: uma visita que evita a compra errada custa uma fracção do equipamento que depois fica encostado por não servir.
E se, apesar do levantamento, o equipamento se revelar desadequado, há equipamentos que aceitamos de volta ou trocamos. Não são todos — depende do artigo e do estado em que está —, por isso essa condição fica dita e escrita antes da compra, e não descoberta depois. Ver os termos de devolução →
Onde isto costuma dar mais jeito
- ✓ Alta hospitalar marcada, com pouco tempo para preparar a casa
- ✓ Primeira vez que se traz um produto de apoio para casa e não se sabe por onde começar
- ✓ Equipamento que já não serve — porque a situação mudou, ou porque nunca chegou a servir
- ✓ Candidatura a financiamento, em que o produto tem de corresponder ao que foi prescrito
- ✓ Lares e apoio domiciliário, no levantamento de um parque de equipamentos
O que esta avaliação não é
Não é uma avaliação clínica e não substitui o médico, o terapeuta nem o centro prescritor. Não diagnostica, não prescreve e não se pronuncia sobre tratamentos. O que faz é traduzir uma situação concreta — medidas, espaço, apoio disponível e duração — nas características que o equipamento tem de ter.
Há um trabalho que é mesmo clínico e que não é nosso: a avaliação de posicionamento, ou adequação postural, feita por fisioterapeuta ou terapeuta ocupacional. Aí analisa-se a postura, a flexibilidade da bacia e da coluna, o equilíbrio do tronco e o estado da pele, tiram-se as medidas do corpo e prescrevem-se os componentes — almofada, encosto, apoios de estabilização. Se o seu caso pede isso, dizemos-lho e ajudamos a chegar a quem o faz.
Quando há uma prescrição, é ela que manda: o levantamento serve para encontrar, dentro do que foi prescrito, o produto que cabe na casa e na vida de quem o vai usar. Ver como funciona o financiamento →
Comece por descrever a situação
Quem vai usar, o que se passa e há quanto tempo. Do resto tratamos com as perguntas certas — e se for preciso ver, combinamos a visita.
Pode ser financiado
Sabia que alguns equipamentos para particulares são comparticipados pelo SAPA? Encaminhamos o pedido para o parceiro mais adequado, que lhe emite o orçamento com código ISO.
Antes de perguntar, talvez ajude
Que produto de apoio para cada dificuldade
Os profissionais não partem do catálogo — partem da capacidade que está comprometida. As seis áreas por onde se decide, e a progressão de apoio dentro de cada uma.