Cuidados
Que produto de apoio para cada dificuldade
Os profissionais não partem do catálogo — partem da capacidade que está comprometida. As seis áreas por onde se decide, e a progressão de apoio dentro de cada uma.
Quem chega a uma loja de produtos de apoio traz normalmente o nome de um equipamento: "preciso de uma cama articulada", "querem que compre um andarilho". Às vezes está certo. Muitas vezes está a resolver o problema errado, ou a saltar um degrau.
Os profissionais de reabilitação fazem o caminho ao contrário. Não começam pelo produto: começam pela capacidade que está comprometida. E dentro de cada uma há uma progressão, do apoio mais leve para o mais dependente.
Vale a pena conhecê-la, porque é ela que evita comprar a mais e comprar cedo de mais.
As seis áreas
Andar e deslocar-se. É quase sempre por aqui que começa, e é onde há mais degraus.
Passar da cama para a cadeira. Transferir-se é uma capacidade em si mesma. Há quem ande e não se transfira sozinho, e o contrário também acontece.
Tomar banho. A capacidade de entrar, de se manter e de se lavar. Tratámos disto em detalhe.
Ir à casa de banho. Chegar lá a tempo, sentar-se e levantar-se. É diferente do banho e resolve-se com outras peças.
Comer e beber. Segurar o talher, levar à boca, beber sem inclinar a cabeça. As ajudas que resolvem isto são pequenas e notam-se pouco.
Manter-se ativo. A capacidade que se perde por falta de uso, e a única em que o equipamento serve para treinar em vez de compensar.
A progressão do apoio na marcha
Dentro do andar, a escolha não é entre bengala e cadeira de rodas. Há uma escada, e cada degrau corresponde a quanto apoio é preciso e a quantas mãos ficam ocupadas.
- Bengala — um ponto de apoio de um lado. Para desequilíbrio ligeiro, ou para descarregar uma perna que dói. A altura certa é com a pega à altura da anca, de pé
- Tripé ou quadripé — a mesma ideia com uma base mais larga, que fica de pé sozinha. Dá mais estabilidade e obriga a andar mais devagar
- Canadianas — apoio dos dois lados, com o antebraço. Para quem tem de descarregar peso a sério, e mantém as duas mãos ocupadas
- Andarilho — quando é preciso apoiar o corpo à frente, e não só as mãos. Com rodas para a rua, fixo para dentro de casa
- Cadeira de rodas — quando a distância já não se faz a pé, mesmo com apoio. Não é o fim da marcha: muita gente anda em casa e usa cadeira na rua
Subir um degrau cedo de mais tira autonomia que ainda existia. Ficar num degrau tempo de mais aumenta o risco de queda. É por isso que estas escolhas se revêem.
Segurança e manutenção
Três coisas que a prática recomenda, e que valem para qualquer destas áreas.
A escolha envolve quem vai usar e quem cuida. Um equipamento decidido por cima da cabeça das pessoas é um equipamento que acaba encostado. Estima-se que perto de um terço dos produtos de apoio prescritos deixe de ser usado — quase sempre porque deixou de corresponder à situação, ou porque nunca correspondeu.
A escolha revê-se com o tempo. Uma situação que evolui muda o que faz falta, e o que servia há um ano pode estar hoje a limitar. Uma alteração de peso, uma cirurgia, uma queda — são todos motivos para rever.
O ambiente conta tanto como a pessoa. A largura das portas, os degraus à entrada, quem está em casa e a que horas. O melhor equipamento do mundo não serve se não passar no corredor.
Em resumo
Comece pela dificuldade, não pelo produto. Dentro dela, escolha o degrau que corresponde ao apoio que é mesmo preciso hoje — nem mais, nem menos. E conte com rever a escolha.
Se quiser ajuda a situar o caso, responda às perguntas e o site sugere as categorias que costumam fazer sentido. E se houver prescrição, é ela que manda: veja por onde começar um pedido.
Esta página é informativa e não substitui a avaliação de um profissional de saúde.