Cuidados

Prevenir quedas em casa: onde acontecem e o que as evita

A maior parte das quedas de quem tem mais de 65 anos acontece dentro de casa, em sítios previsíveis. Onde são, o que as provoca, e o que se resolve sem obras.

Uma queda raramente é um acaso. Quase sempre é o encontro de três coisas: uma pessoa com menos equilíbrio do que tinha, uma casa que não mudou nada nos últimos trinta anos, e um momento de pressa — a campainha, o telefone, a vontade de ir à casa de banho a meio da noite.

A parte que não se muda é a primeira. As outras duas mudam-se, e é por isso que vale a pena falar delas antes de haver a primeira queda, e não depois.

Porque depois é diferente: quem cai uma vez ganha medo de voltar a cair, deixa de sair, perde força por falta de uso — e fica com mais probabilidade de cair outra vez. Trava-se este ciclo mais facilmente antes de ele começar.

Onde acontecem

Quase sempre nos mesmos quatro sítios, e nenhum deles é a escada da rua.

Na casa de banho. É a divisão mais pequena, a mais escorregadia, e aquela onde se fazem os movimentos mais difíceis: entrar no duche, baixar-se para a sanita, levantar-se dela. Concentra mais quedas do que qualquer outra.

No caminho até à casa de banho, de noite. Com a luz apagada para não acordar ninguém, meio a dormir, com pressa. É o percurso que se faz mais vezes e o que se faz em piores condições.

Ao levantar-se da cama ou da cadeira. A tensão desce ao mudar de posição, dá uma tontura de dois ou três segundos — e nesses segundos a pessoa já deu o primeiro passo.

Nos degraus de dentro de casa. Não os lances de escada, que impõem respeito: o degrau único da marquise, o da entrada, o que separa a sala da cozinha. Os que se conhecem tão bem que já não se olha para eles.

O que as provoca

  • Os tapetes. São a causa mais frequente e a mais fácil de eliminar. Todos, mesmo os que têm base antiderrapante e sobretudo os pequenos das passagens.
  • A falta de luz. Uma lâmpada fraca no corredor ou um interruptor longe da cama fazem mais estragos do que se pensa.
  • O calçado. Chinelos soltos, meias no soalho, solas gastas. Calçado fechado com sola que agarre é dos gestos mais baratos que há.
  • Os apoios que cedem. Quem vai com dificuldade apoia-se no que apanha à mão: a mesa leve, a cadeira com rodas, o carrinho da televisão.
  • Os fios pelo chão — candeeiros, carregadores, extensões — e as caixas encostadas às paredes dos corredores.
  • A medicação. Há remédios que dão tonturas ou sonolência, e combinações que dão mais. Não é assunto para resolver em casa: fala-se com o médico ou na farmácia.
  • A visão. Óculos desactualizados, ou lentes progressivas que distorcem a perceção do degrau quando se olha para baixo.

O que se resolve sem obras

A maior parte disto faz-se num fim de semana, e não exige furar paredes nem chamar ninguém.

  • Tirar os tapetes todos. É a medida com melhor relação entre esforço e resultado.
  • Luzes de presença ao longo do percurso do quarto até à casa de banho, no rodapé. Custam pouco e ficam acesas a noite toda.
  • Um interruptor ou candeeiro ao alcance da mão, sem ser preciso levantar-se para acender.
  • Libertar os corredores e encostar os fios às paredes.
  • A regra dos três segundos: sentar na borda da cama, contar até três, e só depois pôr-se de pé. Evita a tontura da mudança de posição.
  • O telemóvel à mão, carregado, e não noutra divisão.

O que faz falta comprar

Só depois de arrumar a casa é que faz sentido pensar em equipamento — e aí há três coisas que mudam mesmo o risco.

Barras de apoio na casa de banho, aparafusadas à parede, junto à sanita e dentro do duche. As de ventosa servem para equilíbrio momentâneo, não para suportar o peso de alguém a levantar-se. Ver barras de apoio.

Um banco ou cadeira de duche, para se lavar sentado, e um alteador de sanita se levantar-se de baixo já custa. Ver cadeiras e bancos de banho.

O apoio certo para andar — e este escolhe-se pelo degrau em que a pessoa está, não pelo que parece menos. Uma bengala para desequilíbrio ligeiro, canadianas para descarregar peso a sério, um andarilho quando é preciso apoiar o corpo à frente. Está explicado em detalhe em que produto para cada dificuldade.

Se houver degraus dentro de casa que já não se vencem, há soluções sem obra de fundo — de uma rampa a uma cadeira elevatória.

Em resumo

Tire os tapetes, ponha luz no caminho da noite, mude o calçado e liberte os corredores. Feito isso, ponha barras na casa de banho e um banco no duche. E se já houve uma queda, conte-a ao médico — uma queda é informação clínica, não é uma distração.

Se quiser ajuda a perceber o que faz falta na casa concreta, descreva a situação e dizemos-lhe o que costuma ser preciso, sem obrigação de comprar nada.

Esta página é informativa e não substitui a avaliação de um profissional de saúde.

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