Cuidados

Preparar a casa para uma recuperação: o que fazer antes de a pessoa chegar

A recuperação em casa decide-se na véspera. Que divisão escolher, a altura da cama, o que tirar do caminho, e o que se aluga só pelas semanas que faltam.

Entre saber a data da alta e a pessoa entrar em casa há, quase sempre, um ou dois dias. É nesse intervalo que se decide boa parte de como vai correr o resto.

A casa onde se vivia na semana passada não é a casa de que se precisa agora. A cama é baixa de mais para se levantar sozinho. O tapete do corredor está no caminho. O duche tem um degrau que ninguém notava. Nada disto é obra: quase tudo se resolve a mudar móveis de sítio e a ter, durante algumas semanas, o equipamento certo.

Esta é a lista do que fazer antes — e a ordem por que vale a pena fazê-la.

Escolher a divisão

Antes de pensar em equipamento, escolher onde a pessoa vai ficar. Quatro coisas decidem:

  • Sem escadas pelo meio. Se o quarto habitual é no piso de cima e há escadas, é mais fácil descer a cama do que subir a pessoa três vezes por dia. Uma sala converte-se em quarto durante um mês sem drama nenhum.
  • Perto da casa de banho. Meça o percurso. À noite faz-se meio a dormir, e cada metro conta.
  • Com espaço dos dois lados da cama. É isto que permite ajudar de um lado e encostar uma cadeira do outro. Se só houver um lado livre, o cuidador acaba a trabalhar sempre torcido.
  • Onde se ouça a casa. O quarto mais recolhido parece o mais sossegado e é o pior: quem fica longe pede menos ajuda do que precisa.

A cama

É a peça que mais horas ocupa e a que mais custa acertar depois.

  • A altura. Sentado na borda, a pessoa deve ficar com os pés assentes no chão e os joelhos a fazer mais ou menos um ângulo reto. Mais baixo custa a levantar; mais alto e os pés ficam a balançar.
  • Um lado com espaço a sério. Setenta a oitenta centímetros de um dos lados chegam para encostar uma cadeira de rodas ou um andarilho e fazer a transferência sem contorcionismos.
  • A mesa de cabeceira ao alcance da mão. Água, telemóvel, óculos, o comando da luz. O que não estiver ali vai obrigar a levantar de noite — que é exatamente o que se quer evitar.
  • Se for preciso ficar sentado na cama, para comer, para respirar melhor ou para descansar as pernas em cima, uma cama articulada resolve o que três almofadas não resolvem. Para semanas, aluga-se.

O caminho até à casa de banho

É o percurso que se faz mais vezes e o que provoca mais sustos.

  • Tirar os tapetes. Todos, mesmo os que têm base antiderrapante. É a coisa mais barata que se faz num dia de preparação e a que mais diferença faz.
  • A largura útil. Uma cadeira de rodas precisa de cerca de 80 cm livres; um andarilho, de 60 a 70. Não é a largura da porta no catálogo, é a que sobra depois do móvel que está encostado.
  • Os fios ao longo da parede — candeeiros, carregadores, extensões.
  • Nada que se mexa a servir de apoio. Quem vai com dificuldade apoia-se no que apanha. Cadeiras com rodas, mesas leves e o carrinho da televisão são apoios que cedem.
  • Uma cadeira a meio do percurso, se a distância for grande. Descansar dez segundos evita fazer o resto do caminho com pressa.

A casa de banho

É onde acontecem mais quedas dentro de casa, e é a divisão onde a preparação rende mais.

  • Barras de apoio junto à sanita e dentro do duche, aparafusadas à parede. As de ventosa servem para dar equilíbrio momentâneo, não para suportar o peso de alguém a levantar-se.
  • Um banco ou cadeira de banho, para se lavar sentado. Nos primeiros dias, estar de pé no duche cansa mais do que parece.
  • Um alteador de sanita, se levantar-se de baixo for difícil. Quem foi operado à anca costuma sair do hospital com indicação para não dobrar a anca além de um ângulo reto — se for o caso, é essa indicação que manda, e o alteador deixa de ser conforto para passar a ser necessário.
  • Se houver banheira e não duche, uma tábua de banheira poupa a parte mais arriscada, que é passar a perna por cima do rebordo.

Está tudo tratado em detalhe em casa de banho com segurança, com as medidas a tirar antes de comprar seja o que for.

A luz e a noite

A maior parte das quedas em casa acontece de noite, no caminho para a casa de banho, com a luz apagada para não acordar ninguém.

  • Luzes de presença ao longo de todo o percurso, no rodapé. Custam pouco e ficam ligadas a noite toda.
  • Um interruptor ao alcance da cama — ou uma lâmpada de mesa que se acenda ao toque.
  • O telemóvel carregado e à mão. Se a pessoa vai ficar sozinha parte do dia, vale a pena combinar horas de contacto ou ponderar um serviço de teleassistência.

O que só faz falta por umas semanas

A pergunta a fazer a cada equipamento é simples: isto vai ser preciso daqui a três meses? Se a resposta for não, alugar sai quase sempre melhor do que comprar — e não fica nada encostado na garagem depois.

Costuma ser o caso da cama articulada, da cadeira de rodas, do andarilho, da cadeira de banho, da poltrona relax e do elevador de transferência — entregues e montados no local, e recolhidos no fim.

Se a situação for para ficar, aí compensa comprar — e aí interessa medir com calma, que é outro assunto: que produto para cada dificuldade.

Uma lista para a véspera

  • Divisão escolhida, cama no sítio, com um lado livre
  • Tapetes fora, fios encostados à parede
  • Barras na casa de banho, banco no duche
  • Luzes de presença no caminho até à casa de banho
  • Roupa de fácil vestir à mão, calçado fechado e antiderrapante — nada de chinelos soltos
  • Medicação separada por dias, num sítio visível
  • Contactos afixados: médico de família, centro de saúde, quem vem ajudar
  • O que precisa de estar cá em casa no dia, e não encomendado nesse dia

Se a recuperação não for em casa

Há quem recupere fora: num hotel, num alojamento local, em casa de familiares, ou perto da clínica onde fez o procedimento. A lista acima não muda — muda só quem prepara o espaço.

Nesses casos o equipamento pode ser entregue e montado no alojamento, pelo tempo da estadia, e recolhido no fim. É o que fazemos em alojamento adaptado, e serve tanto para quem viaja como para a unidade que recebe o hóspede.

Em resumo

Escolha a divisão pelo caminho até à casa de banho, acerte a altura da cama, tire os tapetes e ponha luz na noite. Depois disso, o que falta é equipamento — e o que só serve durante a recuperação aluga-se em vez de se comprar.

Se quiser ajuda a perceber o que faz falta no seu caso, descreva a situação e dizemos-lhe o que costuma ser preciso, sem obrigação de comprar nada.

Esta página é informativa e não substitui as indicações que lhe forem dadas no hospital ou pelo seu médico.

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