Cuidados

Equipar um lar ou uma unidade: como nos enviar a lista

A lista de equipamento de uma instituição chega quase sempre com repetições e termos misturados. Está bem assim. O que trava um orçamento são outras cinco ou seis coisas.

A lista de equipamento de um lar chega-nos quase sempre da mesma maneira: alguém percorreu um quarto e uma casa de banho e escreveu o que viu. Vem com linhas repetidas, com termos que variam de terra para terra, e com coisas muito diferentes lado a lado — uma cama articulada elétrica e um cofre pequeno não se compram da mesma forma, nem chegam ao mesmo tempo.

Está bem assim. Não é preciso arrumar a lista antes de no-la enviar — arrumá-la é a parte fácil e é connosco. O que segue é o que fazemos com ela, e as poucas coisas que só a instituição sabe e sem as quais ninguém consegue orçamentar a sério.

Onde se usa

Estruturas residenciais para pessoas idosas, unidades de cuidados continuados, centros de dia, residências assistidas, unidades de reabilitação e quartos de apoio em unidades privadas de saúde. Muda a escala e mudam as regras de compra; a lista é quase sempre a mesma.

As três listas que vêm dentro de uma

Uma lista de instituição parece um documento só, mas são três, com prazos e decisões diferentes.

1. O que se conta por quarto. Mobiliário e têxteis: mesa de cabeceira, mesa de apoio regulável, cadeirão, guarda-roupa, lençóis, resguardos, toalhas, protetores de colchão. Multiplica-se pelo número de quartos e de camas, e resolve-se com medidas e quantidades. Aqui, uma linha repetida não é engano — é a quantidade. Quando vemos "mesa de apoio regulável" escrita duas vezes seguidas, lemos duas por quarto. Se não era isso, basta dizer.

2. O que se decide por residente. Colchão anti-escaras, almofada de assento, cadeira de rodas, andarilho, assento sanitário almofadado, cadeira de banho reclinável. Não são artigos do quarto: são da pessoa. Um colchão de pressão alterna escolhe-se pelo peso e pelo risco de úlcera de quem lá vai dormir, e uma cadeira de rodas mede-se a quem a vai usar.

Repare numa coisa nas listas que nos chegam: são precisamente estas linhas que costumam aparecer sem visto, à espera de alguém. Quem escreveu a lista já sabia que ali havia uma decisão que não era dele.

3. O que é obra. Barras de apoio, espelho inclinável, campainha de chamada, tapetes fixos. O artigo é o mais barato da conta; o que decide é onde assenta. Uma barra de apoio aguenta o peso de uma pessoa inteira a levantar-se — num tabique de pladur sem reforço não há bucha que resolva, e é preciso saber isso antes de a comprar, não no dia da montagem.

O que nos ajuda a responder

Estas são as perguntas cuja resposta não conseguimos adivinhar:

  • Quantos quartos e quantas camas, e quantos quartos são de ocupação dupla
  • Quantas casas de banho, e quais são partilhadas
  • Se é obra nova, remodelação ou reposição de material gasto — muda os prazos e muda quem decide
  • Medidas de passagem: largura das portas, largura do corredor no ponto mais estreito, e as medidas de porta e cabina do elevador. Uma cama e uma grua sobem desmontadas; uma cadeira de banho com rodas ou um cadeirão sobem como estão
  • Tipo de parede onde vão barras, espelhos e suportes: alvenaria, betão ou pladur
  • Peso máximo dos residentes que vão usar camas, gruas, arneses e cadeiras de banho. É o dado que fixa a carga máxima de trabalho de cada equipamento, e o único que não se estima
  • Prazo, e se há data de abertura, de vistoria ou de licenciamento a cumprir
  • Como a instituição precisa de comprar: fatura à entidade, proposta formal, consulta a três propostas, ou procedimento de contratação pública

Com isto responde-se. Sem isto, um orçamento é um exercício de imaginação que depois tem de ser refeito.

Termos que variam, e que traduzimos

As listas chegam escritas por quem cuida, não por quem vende, e há palavras que mudam conforme a região ou a formação de quem escreve. Não corrigimos os termos de ninguém — traduzimo-los:

  • travesseiro — almofada de cama
  • colchão anti-escaras — colchão de prevenção de úlceras de pressão, que pode ser viscoelástico, híbrido ou de pressão alterna, e são coisas diferentes
  • cadeira de descanso ergonómica — cadeirão ou poltrona reclinável
  • assento sanitário elevatório — alteador de sanita
  • cadeira sanitária — leva balde; cadeira de banho — vai para o duche; há modelos que fazem as duas coisas
  • grades laterais — guardas de cama
  • suporte para soro — pé de soro

Grades, cintos e o que a lei trata como contenção

Nas listas aparece muitas vezes "grades laterais removíveis", e esse parêntesis está certo. Grades de cama, cintos e coletes que uma pessoa não consegue retirar sozinha são medidas restritivas: a decisão é clínica, é individual e fica registada, com reavaliação. Não é o equipamento que a toma, nem é uma opção de mobiliário que se compra por quarto.

Fornecemos imobilizações e contenções e guardas de cama. O que pedimos é que a escolha venha de quem avalia o residente. Se ajudar, leia contenção: quando se justifica.

Aluguer, para o que é temporário

Uma unidade não tem de comprar tudo. Um residente que chega para recuperar de uma fratura precisa de uma cama articulada durante dez semanas, não durante dez anos — e um pico de ocupação não justifica material parado o resto do ano.

Alugam-se camas articuladas, elevadores de transferência, cadeiras de rodas, cadeiras de banho, andarilhos, poltronas relax e mesas de apoio.

Segurança e manutenção

O que numa casa serve uma pessoa, num lar serve muitas e é limpo várias vezes ao dia. Isso decide escolhas antes de decidir preços.

Superfícies laváveis e sem juntas. Numa instituição, tudo o que se toca com as mãos se desinfeta muitas vezes por dia. A madeira envernizada com frisos é a primeira a perder o acabamento, e um canto onde a sujidade se agarra é um canto que dá trabalho para sempre.

A parte que toca na pele é pessoal. Almofada de assento, assento sanitário almofadado, arnês de grua: partilham-se o mínimo possível, e quando se partilham precisam de capa lavável e de um circuito de lavagem que exista de facto.

Os arneses de grua têm validade e inspeção. Cada arnês traz etiqueta com carga máxima e data, e deixa de se usar quando a costura ou o tecido cedem — ver como escolher um arnês para grua. É a peça de todo o equipamento de transferência que mais depressa se gasta e a que menos se olha.

Peças de desgaste, contadas à cabeça. Rodas, travões, comandos, atuadores, baterias, fichas de alimentação. Numa instituição vale a pena orçamentar algum stock com o lote inicial: uma cama parada por causa de um comando é uma cama que não se usa, e a espera pela peça é quase sempre mais longa do que a reparação. Veja as peças para camas articuladas e como pedir uma peça ou reparação.

Registo. Guarde o número de série e a data de compra de cada máquina, de preferência junto à cama e não só no dossiê. Quem telefona a pedir assistência com o número de série na mão poupa um dia inteiro.

Entrega e montagem

Entrega em Portugal Continental. Madeira e Açores sob consulta. Onde e como se faz a entrega e o acerto final combina-se caso a caso — conforme o equipamento, a configuração e a zona.

Num lote grande, vale a pena fasear. O que é obra vai primeiro, porque condiciona o resto: barras, espelhos e instalações fixas resolvem-se antes de haver mobília no caminho. O mobiliário e os têxteis entregam-se em conjunto. E o que é do residente — colchão, almofada, cadeira — fica para o fim, quando já se sabe quem vai ocupar o quarto.

O que não se resolve por lista

Há coisas que só ficam decididas com alguém a olhar para a pessoa ou para o edifício, e é mais honesto dizê-lo já:

  • Colchões e almofadas anti-escaras não se escolhem por catálogo. Precisam do peso, do tempo que a pessoa passa na cama ou sentada, e do nível de risco avaliado — ver como escolher um colchão ou almofada anti-escaras
  • Uma cadeira de rodas para um residente mede-se a esse residente
  • A campainha de chamada não é um artigo, é uma instalação: depende do sistema que a casa tem ou vai instalar
  • Nada disto substitui a avaliação de quem acompanha os residentes; serve para que essa avaliação chegue mais depressa ao equipamento certo

Quando o pedido é grande ou o edifício ainda está em obra, faz sentido começar por uma avaliação de necessidades.

Em resumo

Mande a lista como a tem, com as repetições e tudo. Junte o número de quartos e de camas, as medidas de porta, corredor e elevador, o tipo de parede onde vão as barras, os pesos máximos a considerar e o prazo. É isso que transforma uma lista num orçamento.

Para ver o que existe: camas articuladas elétricas e elevatórias, colchões anti-escaras e de pressão alterna, mesas de cabeceira, mesas auxiliares, cadeirões, resguardos, barras de apoio, alteadores de sanita, cadeiras sanitárias e de banho, gruas de transferência, andarilhos, fardamento e carros de transporte de comida.

Se preferir falar antes de escrever, contacte-nos e diga só quantos quartos são. O resto tira-se daí.

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