Transferências
Como escolher um arnês para grua de transferência
O arnês é a peça que toca na pessoa. Pernas divididas ou tipo saco, que apoio de costas, que material — e como saber se o tamanho está certo.
Escolhida a grua, falta a peça que faz a diferença no dia a dia: o arnês — também chamado sling ou cadeira de transferência. É o que suporta o corpo e o que toca na pele.
A grua costuma vir com um arnês universal incluído. Serve para começar, mas raramente é o mais indicado para uma situação concreta. Um arnês mal adaptado causa desconforto, deixa a pessoa escorregar e pode magoar a pele.
Pernas divididas ou tipo saco
É a primeira decisão, e depende de quanto a pessoa colabora.
Pernas divididas — duas aberturas separadas, uma para cada perna. É o modelo mais comum e o que vem quase sempre incluído.
- Coloca-se e retira-se mais depressa, sobretudo com a pessoa já sentada
- A própria pessoa pode participar, ajustando as pernas
- Dá mais liberdade de movimento
- Facilita o acesso para a higiene íntima
- Indicado para quem faz transferências frequentes e tem alguma mobilidade
Tipo saco — uma única abertura ampla para as duas pernas.
- Apoia de forma contínua por baixo das coxas e das nádegas
- Desliza melhor por baixo de quem está deitado, com menos fricção na pele
- Indicado para pessoas acamadas, com rigidez muscular, sensibilidade à dor, ou quando a transferência tem de ser mais delicada
Que apoio de costas
Depende de a pessoa conseguir, ou não, manter-se direita sozinha.
- Dorso-lombar (encosto baixo) — apoia a zona lombar e as costas em baixo. Para quem tem boa estabilidade de tronco e de cabeça e só precisa de ajuda para o levantamento
- Dorsal alto, até aos ombros — para quem tem estabilidade de tronco limitada mas controla a cabeça. Dá também mais sensação de segurança
- Com estabilização da cabeça — encosto ainda mais alto, que envolve e suporta a cabeça. Para quem não tem controlo de tronco nem de cabeça, como em tetraplegia ou lesão medular grave. É o que mantém o alinhamento da coluna
- Para amputados — desenhado para redistribuir o peso em segurança quando falta um ou os dois membros inferiores
Que material
O material escolhe-se pelo sítio onde o arnês é usado e pela pele de quem o veste.
- Poliéster — o padrão. Resistente, de baixo atrito, fácil de lavar e aguenta temperaturas altas. Para o uso diário, em seco
- Malha de rede — deixa passar a água e seca depressa. Para transferências para a casa de banho e o duche. Evita que a humidade fique retida contra a pele
- Malha plástica — não absorve água, é leve e resiste aos químicos. Para piscina e hidroterapia
- Acolchoado — camada de enchimento macio sobre o tecido base. Para pele frágil, sensibilidade à pressão, ou quando a pessoa passa períodos longos no arnês
O tamanho, que é onde se erra
Um arnês do tamanho errado é perigoso, não é só desconfortável. O tamanho sai da tabela do fabricante, que cruza o peso com a circunferência dorsal — a medida à volta do peito e das costas.
Sinais de que está pequeno demais:
- Aperta na virilha ou nas coxas
- A pessoa parece apertada dentro dele
- O gancho da grua fica demasiado próximo do corpo
Sinais de que está grande demais:
- As nádegas projetam-se demasiado pela abertura do assento
- O apoio das pernas fica muito perto da parte de trás dos joelhos, o que compromete a estabilidade
Duas regras de segurança
As alças. Muitos arneses têm as alças de ligação marcadas por cores, correspondentes a pontos de fixação diferentes. Use sempre a mesma cor dos dois lados — é isso que mantém o peso distribuído e a pessoa estável. Cores trocadas inclinam a pessoa para um lado.
A compatibilidade. O arnês tem de ser compatível com a grua que vai usá-lo: o sistema de fixação difere entre fabricantes, e o conjunto tem um limite de carga a respeitar. Siga sempre as instruções do fabricante, tanto da grua como do arnês.
Cada tipo de grua pede o seu arnês
- Gruas de posição de pé — usam coletes ou cintos lombares, pensados para ajudar a pessoa a levantar-se e a dar alguns passos
- Gruas de elevação horizontal — usam arneses em forma de maca, para elevar na posição deitada
- Banho e higiene — malha de rede ou poliéster, de preferência de pernas divididas, pelo acesso que dão
- Estatura e peso elevados — existem modelos bariátricos, dimensionados para o efeito
Em resumo
- Pernas divididas para quem colabora; tipo saco para quem está acamado
- O apoio de costas sobe conforme baixa o controlo de tronco e de cabeça
- Rede para o banho, poliéster para o dia a dia, acolchoado para pele frágil
- O tamanho vem da tabela do fabricante, e verifica-se na virilha e nos joelhos
- Alças da mesma cor dos dois lados, sempre
Veja as gruas de transferência ou elevação e as restantes ajudas para transferências — ou o aluguer, se for por tempo limitado. Diga-nos o peso, a circunferência dorsal e o grau de controlo de tronco, e dizemos-lhe que arnês corresponde.