Cuidados

Vestir e comer com autonomia: as ajudas que se notam pouco

Peças pequenas que decidem se a pessoa faz sozinha ou espera que lhe façam — e que devolvem a refeição e o vestir a quem ainda os consegue ter.

Há uma diferença grande entre não conseguir comer e não conseguir segurar o garfo. Entre não conseguir vestir-se e não conseguir levantar o braço até à manga.

Na primeira, é preciso alguém. Na segunda, muitas vezes basta a peça certa — e a pessoa continua a fazer aquilo sozinha, que é o que interessa.

Indicado para

Quem tem tremor, artrose nas mãos, perda de força de preensão ou amplitude reduzida de ombro. Quem está a recuperar de um AVC e volta a treinar os gestos. E quem cuida de alguém acamado e passa metade do tempo a vestir e a despir.

Como funciona

Vestir com alguém acamado. Um pijama de dependência abre atrás ou nos ombros, com fecho ou velcro, e veste-se sem levantar a pessoa nem passar mangas por braços que não dobram. Poupa dois movimentos que costumam doer, e poupa as costas de quem veste. Confirme que os fechos não ficam sob pontos de pressão — costas e ancas de quem passa o dia deitado não podem ter um fecho por baixo.

Comer com tremor ou pouca força. Um talher adaptado tem cabo grosso, mais peso e por vezes ângulo — segura-se com a mão fechada em vez de com a pinça dos dedos. Copos com dois pegas e com recorte para o nariz permitem beber sem inclinar a cabeça para trás, o que interessa a quem tem dificuldade em engolir.

Proteger sem infantilizar. Um babete de adulto discreto, em tecido lavável, evita ter de mudar de roupa a meio da refeição. Escolha o mais sóbrio que servir: o que se veste à mesa faz parte da dignidade da refeição.

Apoiar o braço que não se aguenta. Quando o problema é a força para manter o braço no ar, um apoio de braço e mão sustenta o peso e deixa a pessoa usar a mão que ainda tem. Devolve o comer, o escrever e o mexer no telemóvel a quem já os tinha perdido por cansaço, e não por incapacidade.

Meias e vestuário de compressão. Calçá-las é o problema, não usá-las. Existem calçadeiras próprias que resolvem isso — e vale a pena perguntar por elas antes de desistir da meia.

Segurança e manutenção

Roupa e tecidos que tocam a pele lavam-se com frequência e a temperatura alta: confirme que aguentam, porque um tecido que encolhe passa a apertar. Verifique costuras e etiquetas interiores em quem tem pele frágil ou não sente pressão — uma etiqueta rija provoca uma ferida em quem não muda de posição.

Nos talheres e nos copos, olhe ao material: os que vão à máquina duram, os outros deixam de ser usados ao fim de um mês.

Em resumo

Antes de assumir que alguém precisa de ajuda para comer ou vestir, veja qual é o gesto exato que falha. Muitas vezes é um só — e há uma peça pequena que o resolve, com a pessoa a continuar a fazer o resto sozinha.

Descreva-nos o gesto que falha e dizemos-lhe o que existe. Veja os pijamas de dependência, os talheres adaptados, os babetes e os apoios de braço e mão.

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