Mobilidade

Como escolher um andarilho de exterior

O travão decide mais do que o peso, e a roda decide se a saída é possível. O que verificar antes de comprar, com as medidas certas e os erros que só se notam na rua.

Um andarilho de exterior não é um andarilho de casa com rodas maiores. Quem sai à rua encontra passeios lancitados, calçada portuguesa, inclinações e travessias com tempo contado, e precisa de três coisas que dentro de casa não fazem falta: rodas que não encravem numa junta, travões que segurem numa descida e um assento para descansar a meio do caminho.

Esta dica explica o que distingue os modelos uns dos outros. Se já sabe o que procura, veja os andarilhos que temos à venda.

Indicado para

Quem caminha com autonomia mas precisa de apoio para o equilíbrio e para a marcha, e quer manter as saídas — a farmácia, o café, a missa, as compras, a caminhada da tarde. Também para quem já usa um andarilho fixo dentro de casa e precisa de um segundo equipamento, com rodas e assento, para o exterior.

Não substitui a cadeira de rodas em quem não consegue percorrer distâncias a pé, nem serve para quem não tem força ou equilíbrio para controlar os travões. Se a dúvida for essa, é a altura de ver a situação antes de decidir.

Como funciona

Os travões são a decisão mais importante, e é por isso que quase todos os modelos existem em duas versões.

FP — travão de pressão. Carrega-se para baixo nas pegas e o andarilho trava. Não exige força nas mãos nem coordenação fina, o que o torna a escolha natural para quem tem artrose, pouca força de preensão ou dificuldade em apertar manetes.

FM — travão de manete. Duas manetes nas pegas, como num travão de bicicleta, com bloqueio ao empurrar a manete para baixo. Dá controlo progressivo — é o que interessa numa descida — e permite deixar o andarilho travado para sentar. Exige mão com força e destreza.

FP · TRAVÃO DE PRESSÃO FM · TRAVÃO DE MANETE o peso do corpo faz o travão a mão doseia a travagem
No travão de pressão apoia-se o peso na pega e o andarilho trava — não exige força nem destreza nas mãos. No travão de manete, apertar os dedos puxa um cabo que encosta o taco à roda, o que permite dosear a travagem numa descida e bloquear o andarilho para sentar.

Todos dobram para transporte e arrumação, todos têm assento com encosto e todos permitem regular a altura das pegas. A regra da altura é simples: de pé, com os braços descontraídos ao lado do corpo, a pega deve ficar à altura do punho.

ALTURA DAS PEGAS punho ↔ pega, à mesma altura pega alta encurva os ombros · pega baixa obriga a caminhar dobrado
De pé e direito, com o braço solto ao lado do corpo, a pega deve ficar ao nível do punho. Regule sempre com o calçado que vai usar na rua — dois centímetros de sola mudam a altura certa.

A roda decide se a saída é possível

Em passeio liso a diferença entre uma roda pequena e uma grande quase não se nota. Em calçada portuguesa, terra batida ou gravilha, é ela que decide se a pessoa sai de casa ou não.

RODA PEQUENA RODA GRANDE bate na aresta e fica sobe a aresta e segue
O mesmo desnível de calçada: a roda pequena bate nele de frente e obriga a levantar o andarilho, a roda maior vence-o a rolar. Em passeio liso a diferença não se nota; em calçada portuguesa, terra ou gravilha, é ela que decide se a saída é possível.

Rodas a partir dos 19 cm vencem a rolar o que uma roda pequena obriga a levantar. Em contrapartida, ocupam mais espaço e tornam o conjunto mais pesado — daí não haver uma escolha certa para toda a gente.

Opções e acessórios

Suporte de bengala, de origem em alguns modelos. Cestos de substituição e sacos amovíveis, laváveis. Bandeja de apoio. Apoio de pés, quando o modelo o permite — nesses casos alguém pode empurrar o utilizador sentado numa distância curta. Nos modelos Magnum há três larguras de pegas, o que interessa a quem é muito alto ou muito baixo.

Segurança e manutenção

Os travões verificam-se antes de cada saída, e sobretudo antes de sentar: o andarilho tem de estar travado, senão foge quando o utilizador se apoia nele. Um andarilho não é um assento de transporte — senta-se para descansar, parado, exceto nos modelos com apoio de pés previstos para isso.

Os cabos de travão dão de si com o uso e são a primeira coisa a ajustar quando o travão fica mole. As rodas ganham cabelo, fios e areia no eixo, o que aumenta o esforço para empurrar. A altura das pegas revê-se sempre que o calçado muda de altura. Ao dobrar e desdobrar, confirme que o mecanismo encaixou até ao fim antes de se apoiar.

Em resumo

Quatro perguntas resolvem quase sempre a escolha.

Quanto pesa quem vai usar? Corta logo a lista: os modelos correntes vão de 100 kg a cerca de 138 kg de peso máximo do utilizador.

Onde vai andar? Passeio e cidade dispensam rodas grandes. Terra, gravilha e caminhos irregulares pedem-nas.

Quem o vai levantar, e para onde? Se entra e sai da mala do carro várias vezes por dia, cada quilo conta e a largura dobrada também. Se fica sempre em casa e só sai à porta, o peso importa muito menos.

As mãos aguentam uma manete? Se sim, travão de manete, pelo controlo em descida. Se não, travão de pressão — e não é uma escolha de segunda, é a escolha certa para essa mão.

Respondidas estas quatro, diga-nos o resto — a altura, o calçado, a casa — e dizemos-lhe quais dos modelos à venda servem e em que diferem.

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