Cuidados
Imobilização e contenção: quando se justifica, e o que fazer antes
É a última medida, não a primeira. O que tentar antes, o que a utilização exige, e os riscos de a usar mal — incluindo os graves.
Um cinto de posicionamento na cadeira, uma grade na cama, um colete abdominal. São equipamentos que existem, que se vendem, e que em algumas situações evitam uma queda com consequências sérias.
São também equipamentos que se usam mais vezes do que seria preciso, muitas vezes por falta de alternativa conhecida, e cujo uso incorreto causa lesões — incluindo lesões graves por deslizamento e compressão.
Esta página não substitui a avaliação de quem acompanha a pessoa. Serve para dizer o que perguntar antes de decidir.
Indicado para
Situações concretas e identificadas: risco de queda demonstrado, deslizamento da cadeira em quem não tem controlo de tronco, arrancar sondas ou pensos em estados de confusão, protecção durante uma transferência.
Não serve como resposta a falta de vigilância, nem como forma de deixar alguém sozinho mais tempo. É precisamente ao contrário: uma pessoa contida precisa de mais vigilância, não de menos.
O que tentar antes
A contenção é a última medida da lista, e há muita lista antes dela.
- Baixar a cama até ao mínimo e pôr um tapete de queda ao lado. Uma cama elevatória desce a alturas em que uma queda deixa de ter consequências
- Rever a medicação com quem a prescreveu — muita agitação e muita instabilidade da marcha vêm daí
- Verificar o óbvio: dor não tratada, prisão de ventre, retenção urinária, infecção, fome, sede, calor, ruído. A agitação é quase sempre uma forma de comunicar
- Corrigir o equipamento: uma cadeira demasiado larga faz escorregar, e o escorregar parece agitação. Uma almofada antiderrapante e um assento à medida resolvem casos que se tentava resolver com um cinto
- Sensores de saída de cama, que avisam em vez de prender
- Rotina, luz e presença: acompanhamento nas horas de maior agitação, luz de presença à noite, objetos conhecidos à vista
Segurança e manutenção
Se, tudo isto ponderado, a contenção for mesmo a decisão:
Tem de ser indicada e registada. Por quem acompanha a pessoa, com o motivo, o tipo, a duração prevista e a reavaliação marcada. Não é uma decisão de quem está de turno naquele dia.
Tem de ser a menos restritiva que resolva. Um cinto pélvico não é o mesmo que um colete. Uma grade de meio comprimento não é o mesmo que grades inteiras dos dois lados.
Tem de ser vigiada. Verificação frequente, alívio periódico, e atenção à posição — o risco maior não é a pessoa soltar-se, é escorregar dentro da contenção e ficar suspensa por ela.
Não se improvisa. Lençóis, ligaduras e cintos de roupa não são meios de contenção, e é com eles que acontecem os acidentes mais graves. Um equipamento próprio tem pontos de fixação definidos pelo fabricante — e é só nesses que se prende.
Grades de cama têm medida. O vão entre a grade e o colchão tem de ser pequeno o suficiente para não deixar passar a cabeça ou um membro. Um colchão mais fino do que o previsto para aquela cama aumenta esse vão e cria um risco que não existia.
Em resumo
Antes de perguntar que contenção comprar, vale a pena perguntar o que se está a tentar evitar, e se não há outra maneira de o evitar. Muitas vezes há — e passa por ajustar o equipamento que já lá está.
Se precisar de ajuda a rever o equipamento antes de chegar a esse ponto, descreva-nos a situação. Se a decisão já estiver tomada por quem acompanha a pessoa, veja as imobilizações e contenções — e diga-nos as medidas, porque o tamanho errado é metade do risco.