Mobilidade

Almofada, encosto ou sistema de assento — o que se troca e o que se decide na compra

Três coisas com nomes parecidos e consequências muito diferentes. Duas trocam-se numa tarde; a terceira decide-se com a cadeira, e mudá-la depois quer dizer trocar de cadeira.

Há três coisas na conversa de uma cadeira de rodas que se chamam quase o mesmo e não são nada a mesma coisa: a almofada, o encosto e o sistema de assento. Confundi-las custa dinheiro numa direção — comprar de mais — e custa anos na outra, quando se compra uma cadeira que depois não aceita o que a pessoa vem a precisar.

A regra curta: duas trocam-se depois, a terceira decide-se antes.

A almofada de assento — troca-se sempre

É o que está entre a pessoa e o assento. Compra-se à parte, mede-se pela largura e profundidade do assento, e serve em praticamente qualquer cadeira — manual, elétrica, de rodas grandes ou pequenas.

Troca-se quando se quiser, quantas vezes for preciso, sem tocar na cadeira. Se a pessoa mudou de peso, apareceu uma vermelhidão que não passa, ou a espuma já não recupera de manhã, muda-se a almofada e mais nada.

É a peça mais barata das três e a que mais decide se a pele aguenta.

O encosto — troca-se quase sempre

Uma cadeira de série vem com uma tela de encosto: um pano esticado entre os dois tubos. Faz o trabalho no primeiro ano. Depois vai cedendo — não parte, não faz barulho, vai cedendo — e a pessoa curva-se com ela sem dar por isso. É a avaria mais silenciosa de uma cadeira de rodas.

Um encosto rígido substitui essa tela. As fixações prendem-se aos mesmos tubos, sem furar nada e sem trocar de cadeira. É universal na maioria dos casos: o que tem de bater certo é a largura, a altura de apoio e o diâmetro dos tubos do encosto.

Há três famílias:

  • telas de tensão ajustável — continuam a ser pano, mas em cintos que se apertam um a um. Mantêm a cadeira dobrável e leve, e apoiam menos
  • encostos rígidos, com contorno de série em vários níveis e profundidades. Apoiam mais, e devolvem mais força a cada empurrão — uma tela que cede absorve parte da propulsão
  • encostos modulares, em que o contorno se constrói com peças, para assimetrias que um contorno de catálogo não acompanha

Um pormenor que muita gente não sabe: o assento e o encosto trabalham em conjunto. Trocar só um deixa metade do trabalho por fazer — a bacia escorrega à frente e o tronco vai atrás, ou o contrário.

O sistema de assento — esse decide-se com a cadeira

Aqui é que muda tudo. Numa cadeira elétrica de gama média ou alta, o que se compra não é "uma cadeira" e depois "um assento": compra-se uma base com um sistema de assento montado nela, e os dois são vendidos como um conjunto pela mesma marca.

Esses sistemas têm nome próprio e são exclusivos de cada fabricante. Não se compram à parte, não se põem noutra marca, e não há adaptador.

Os nomes que vai encontrar

Esta lista serve para reconhecer as palavras, e não para pôr umas contra as outras — cada sistema é pensado para as cadeiras do seu fabricante, e só faz sentido avaliado dentro delas.

Na Sunrise Medical, o sistema chama-se SEDEO, em três níveis: Lite, Pro e Pro Advanced.

Na Permobil, chama-se Corpus. A versão com bipedestação é a Corpus VS.

Na Invacare, há o Modulite e o Ultra Low Maxx, e o MPS Maxx, este com verticalização.

Na Ottobock, o sistema de assento elétrico das cadeiras Juvo chama-se APS.

Repare onde estas palavras aparecem: no próprio nome da cadeira — "Q500 Sedeo Pro", "F3 Corpus", "Aviva RX40 Modulite". Não é um acessório mencionado de passagem no fim do orçamento: é metade do que se está a comprar, e a metade que não se muda depois.

Um aviso sobre nomes, porque gera confusão: há empresas que distribuem estas marcas em Portugal e têm nome próprio — e esse nome não é o de nenhum sistema de assento. Se lhe falarem de uma marca que não reconhece, pergunte se é o fabricante da cadeira ou quem a representa cá.

O que o sistema de assento decide, e a almofada e o encosto não decidem:

  • quanto a cadeira bascula e reclina — e se isso é elétrico ou manual
  • se o assento sobe, e quantos centímetros
  • se os apoios de pés são eleváveis por motor
  • que amplitude de medidas a cadeira aceita hoje e daqui a três anos
  • que apoios posturais se lhe podem montar

Mudar de sistema de assento depois de comprar, na prática, quer dizer trocar de cadeira. É por isso que esta é a pergunta a fazer na loja, e não passado um ano.

As três perguntas que evitam o erro caro

1. "Esta cadeira aceita basculação elétrica mais tarde, ou tenho de a pedir agora?" — Em muitos modelos, acrescentar depois é possível; noutros, obriga a trocar toda a unidade de assento. A resposta muda o orçamento em milhares de euros.

2. "Até que medidas cresce?" — Vale para crianças, e vale para adultos que vão mudar de peso. Uma cadeira que acompanha cinco anos e outra que serve dois podem custar o mesmo no primeiro dia.

3. "Que sistema de assento leva esta cadeira, e o que é universal?" — Peça que lhe separem as duas listas. Tudo o que for universal — almofada, encosto, apoio de cabeça — pode esperar, comparar-se e trocar-se. Tudo o que for da marca tem de ser decidido agora.

Em resumo

Compra-se à parteServe noutra cadeiraTroca-se depois
Almofada de assentosimquase sempresim, quando quiser
Encostosimquase sempre, se as medidas bateremsim
Sistema de assentonãonãonão, sem trocar de cadeira

Se está a escolher agora, veja os encostos e as almofadas de assento, e diga-nos o que tem — com a marca e o modelo da cadeira dizemos-lhe o que lá encaixa.

Esta página é informativa. A escolha do contorno, da altura de apoio e do tipo de almofada é uma decisão clínica, que se toma com quem acompanha a pessoa.

← Ver todas as dicas