Conforto
Como escolher uma poltrona reclinável ou com levante
Um motor ou dois, com levante ou sem, e as três medidas que decidem se a poltrona serve. O erro mais comum é o espaço atrás.
Uma poltrona reclinável é, para muita gente, onde se passa o dia. Mais horas do que na cama. Escolher mal não dá um problema imediato — dá dores nas costas ao fim de um mês, pés inchados ao fim de dois, e uma poltrona que ninguém usa ao fim de seis.
Três decisões resolvem quase tudo: as medidas, quantos motores, e se precisa de levante.
Características técnicas
A altura do assento é a medida que mais falha. Sentado e encostado, os pés têm de assentar no chão com os joelhos a noventa graus. Se os pés ficam a balançar, o peso concentra-se atrás das coxas e as pernas incham. Se os joelhos ficam altos, o peso cai todo sobre os ísquios — que é onde aparecem as feridas de pressão.
A profundidade mede-se do encosto à parte de trás do joelho: devem sobrar dois a quatro dedos. Um assento mais fundo do que a perna obriga a escorregar para a frente para encostar as costas, e é assim que se passa o dia numa má postura.
A largura deve deixar folga para se ajeitar, sem ser tanta que a pessoa fique solta e se incline para o lado.
Como funciona
Um motor. O encosto e o apoio de pés movem-se em conjunto, num só movimento. Mais simples e mais barato, e chega para quem só quer reclinar para descansar.
Dois motores. O encosto e as pernas movem-se de forma independente. É o que permite pôr as pernas em cima com as costas ainda direitas — a posição de quem tem edemas ou problemas de circulação, e a posição de comer sem estar deitado.
Com levante. A poltrona inclina para a frente e ajuda a pessoa a pôr-se de pé. Não é um extra de conforto: é o que faz a diferença entre levantar-se sozinho e depender de alguém, e é o que evita que quem ajuda force as costas várias vezes por dia.
Onde se usa
O espaço atrás é o erro mais comum. A maior parte das poltronas recua ao reclinar e precisa de 15 a 20 cm livres até à parede. Meça esse espaço antes de comprar — não depois, com a poltrona já na sala. Há modelos de encosto à parede, que reclinam para a frente e dispensam essa folga; se a sala é pequena, é por aí que se começa.
Confirme também a passagem: uma poltrona não desmonta como uma cama. Meça a largura da porta de entrada, do corredor e da curva das escadas.
Opções e acessórios
Tecidos impermeáveis e laváveis, que interessam a quem tem incontinência ou passa lá as refeições. Apoio de cabeça regulável. Bolsa lateral para o comando. Rodízios traseiros para afastar a poltrona da parede na limpeza.
Quem passa mais de seis horas por dia sentado deve olhar para a almofada de assento como parte da escolha, e não como um acessório — veja como escolher um colchão ou almofada antiescaras.
Segurança e manutenção
O comando fica sempre ao alcance da mão, e a ficha acessível: em caso de falha de energia, muitos modelos só voltam à posição de sentado com a bateria de emergência ou com o desengate manual — vale a pena saber onde está antes de precisar dele.
Não use a poltrona reclinada como cama todas as noites. Dormir sentado tem indicação em algumas situações clínicas, mas é decisão de quem acompanha a pessoa, não do móvel.
Em resumo
Meça a altura do assento contra a perna de quem se vai sentar, meça o espaço atrás até à parede, e responda a uma pergunta: a pessoa levanta-se sozinha? Se não, é levante. Se sim, e se passa horas com as pernas para cima, são dois motores.
Diga-nos a altura, o peso e o espaço que tem, e dizemos-lhe quais servem. Veja as poltronas reclináveis e os cadeirões.