Cuidados

Como escolher um colchão ou almofada antiescaras

A escolha segue o risco da pessoa, não o preço nem o catálogo. O que a escala de Braden avalia, o que dá cada pontuação, e que tipo de equipamento corresponde a cada nível.

Quem procura um colchão antiescaras costuma começar pela pergunta errada — qual é o melhor. Não há melhor: há o adequado ao risco daquela pessoa. Um colchão de pressão alterna de células grandes não traz vantagem a quem se levanta e anda, e um colchão de espuma não chega a quem está acamado e não muda de posição sozinho.

O que decide é o nível de risco, e esse mede-se.

Como se avalia o risco

A escala mais usada é a escala de Braden, um instrumento clínico validado que pontua seis dimensões. Cada uma vale de 1 a 4 pontos — a última vale de 1 a 3 — e somam-se no fim:

  • Perceção sensorial — como a pessoa reage a um estímulo doloroso, desde não reagir até reagir sem qualquer limitação
  • Humidade — se a pele está sempre húmida, húmida várias vezes ao dia, ocasionalmente húmida, ou sempre seca
  • Atividade — acamado; em cadeira com ajuda para as deslocações; em cadeira sem ajuda; ou com atividade física normal
  • Mobilidade — se muda e controla a posição do corpo só com ajuda, com ajuda nas mudanças significativas, ocasionalmente com ajuda, ou sem ajuda
  • Nutrição — desde dieta líquida ou soro em exclusivo até alimentação variada com quantidades abundantes de líquidos e proteínas
  • Fricção e forças de deslizamento — se desliza na cama ou na cadeira com frequência, ocasionalmente, ou raramente

O que dá a pontuação

  • 23 a 16 pontos — risco baixo
  • 15 a 13 pontos — risco médio
  • 12 a 10 pontos — risco alto
  • 9 a 6 pontos — risco muito alto

Quanto mais baixa a pontuação, maior o risco. Repare que a mesma pessoa muda de banda ao longo do tempo: uma infeção, uma perda de apetite ou uma semana acamada descem a pontuação depressa, e o equipamento que servia deixa de servir.

Que equipamento corresponde a cada nível

Em traços gerais, e por tipo de tecnologia e não por marca:

  • Risco baixo — colchão de espuma de alta densidade ou viscoelástico, que distribui o peso por uma área maior
  • Risco médio — viscoelástico de maior espessura, ou um sobrecolchão de pressão alterna por cima do colchão que já existe
  • Risco altocolchão de pressão alterna com células, que alterna os pontos de apoio em ciclos
  • Risco muito alto — colchão de pressão alterna de células grandes com comando regulável, ou solução híbrida

Para quem passa muitas horas sentado, a lógica é a mesma nas almofadas de assento: gel ou viscoelástico nos riscos mais baixos, células de ar reguláveis nos mais altos. E vale a pena olhar para os calcanhares e cotovelos à parte — são zonas de apoio pequeno onde a pressão se concentra, e há proteções próprias para elas.

O que isto não substitui

Isto são orientações gerais. Não são normas, e não devem ser aplicadas sem análise dos restantes fatores — o peso da pessoa, o estado da pele, a existência de feridas, o tempo previsto na cama, quem faz os posicionamentos e com que frequência.

Nenhum colchão dispensa os cuidados: mudanças de posição, pele seca e limpa, alimentação e hidratação. O equipamento ajuda a distribuir e a aliviar a pressão; quem trata da pessoa é que faz o resto.

Se houver ferida instalada, ou dúvida sobre o que é adequado, a decisão é de quem acompanha clinicamente o utente.

Em resumo

  • A escolha segue o risco medido, não o catálogo
  • A escala de Braden dá uma pontuação de 6 a 23, e o risco sobe à medida que a pontuação desce
  • O risco muda com o tempo — reavaliar é parte do cuidado
  • Nenhum equipamento substitui os posicionamentos e os cuidados com a pele

A escala de Braden aqui descrita segue o Documento n.º 9 do GNEAUPP. Diga-nos a pontuação e a situação e dizemos-lhe que tipo de equipamento costuma corresponder — sem compromisso.

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