Mobilidade
Como escolher a bateria de uma cadeira elétrica ou scooter
Gel ou lítio, quanta autonomia dá cada capacidade, e o que muda quando se viaja de avião ou de barco. Com uma armadilha de linguagem que faz recusar embarques.
A bateria decide até onde se vai, quanto pesa o equipamento, quanto tempo demora a carregar — e, em muitos casos, se é possível viajar com ele.
Há duas tecnologias no mercado das cadeiras elétricas e scooters, e a escolha entre elas é quase sempre a mesma troca: preço à cabeça contra peso e anos de vida.
Gel e AGM (chumbo-ácido selado)
É a tecnologia mais comum e mais barata. São seladas, não precisam de manutenção nem de reposição de água, e não há líquido que se derrame.
- A favor — custo inicial baixo, robustas, estáveis e sem manutenção
- Contra — muito pesadas, menos eficientes, e não devem descarregar-se abaixo de cerca de metade da capacidade
- Duração típica — 2 a 3 anos, com uso corrente
Servem bem quem faz percursos curtos e dá prioridade ao preço de compra.
Lítio (Li-ion e LiFePO4)
Trazem um sistema eletrónico de gestão — o BMS — que protege contra sobrecarga, sobreaquecimento e curto-circuito.
- A favor — muito mais leves, carregam mais depressa, aproveitam melhor a energia e admitem descargas muito mais profundas sem se degradarem
- Contra — custo inicial bastante mais alto, carregador próprio, e regras apertadas no transporte aéreo
- Duração típica — 5 a 7 anos ou mais
Compensam a quem anda vários quilómetros por dia, vive numa zona com subidas, ou tem de levantar a cadeira para o carro.
Lado a lado
| Gel / AGM | Lítio | |
|---|---|---|
| Peso | Muito elevado | Muito reduzido |
| Custo inicial | Baixo | Elevado |
| Duração típica | 2 a 3 anos | 5 a 7+ anos |
| Perdas na conversão | 15 a 20% | cerca de 5% |
| Descarga aconselhada | até ~50% | 80 a 90% |
| Tempo de carga | 6 a 8 horas | 3 a 5 horas |
| Manutenção | Nenhuma | Nenhuma |
| Transporte aéreo | Aceite, com condições | Restrito, com aprovação prévia |
Quanta autonomia dá cada capacidade
A energia de uma bateria mede-se em watt-hora (Wh) e obtém-se multiplicando a tensão pela capacidade: 24 V × 36 Ah = 864 Wh. É esse número que compara baterias, não os amperes-hora sozinhos.
| Energia | Configuração (24 V) | Com gel / AGM | Com lítio |
|---|---|---|---|
| 480 Wh | 20 Ah | 15 a 20 km | 20 a 25 km |
| 864 Wh | 36 Ah | 25 a 35 km | 35 a 40 km |
| 1200 Wh | 50 Ah | 35 a 45 km | 45 a 55 km |
| 1440 Wh | 60 Ah | 40 a 50 km | 50 a 60 km |
| 1800 Wh | 75 Ah | 50 a 55 km | 65 a 75 km |
| 2400 Wh | 100 Ah | peso incomportável | 80 a 90 km |
São médias, não promessas. A autonomia real varia com o peso do utilizador, o tipo de piso, os declives, a velocidade e o estado do equipamento — e todas as baterias perdem capacidade com a idade. Conte com margem.
Repare na última linha: em chumbo-ácido, subir a autonomia significa sobretudo somar peso, e a partir de certo ponto deixa de compensar. É aí que o lítio ganha.
O carregador não é intermutável
Use sempre o carregador próprio da tecnologia da bateria. Um carregador de gel não serve para lítio, nem o contrário. Não é uma questão de eficiência: são perfis de carga diferentes, e a troca danifica a bateria — no caso do lítio, com risco de sobreaquecimento.
Viajar de avião
O que decide não é a cadeira: é a bateria. As regras seguem normas internacionais, nomeadamente da IATA.
- Chumbo-ácido aberto (FLA) — tem eletrólito líquido livre, que pode derramar. Geralmente proibido em voos de passageiros
- Selada: VRLA, gel ou AGM — não tem líquido livre e é considerada não derramável. Em regra aceite, desde que esteja bem fixada e com os terminais protegidos contra curto-circuito
- Lítio — classificada como matéria perigosa. Permitida dentro de limites de watt-hora e, muitas vezes, sujeita a aprovação prévia da companhia, com condições próprias de embalagem
A bateria pode ter de seguir instalada no equipamento ou ser removida e levada na cabine, conforme a companhia. Baterias soltas no porão sem proteção adequada costumam não ser aceites.
Viajar de barco
Nos cruzeiros as regras seguem o Código IMDG, mas cada companhia aplica-as à sua maneira — há diferenças reais entre operadores. As de chumbo-ácido aberto são normalmente proibidas; as seladas são largamente aceites, em geral com aprovação prévia; as de lítio são avaliadas caso a caso e podem exigir documentação técnica do fabricante.
A armadilha da "bateria seca"
É a expressão que mais problemas causa no embarque, e não é sequer uma categoria técnica.
Muita gente diz "bateria seca" a querer dizer selada — gel ou AGM. Mas o termo não tem definição uniforme, e uma companhia pode interpretá-lo de outra maneira. O resultado é dúvida no balcão, e às vezes recusa.
Use sempre a designação técnica exata — VRLA, gel, AGM, Li-ion, LiFePO4 — indique a capacidade em Wh, e obtenha confirmação por escrito antes de viajar. Um email da companhia vale mais do que qualquer explicação dada no aeroporto.
Em resumo
- Gel para percursos curtos e orçamento contido; lítio para autonomia, peso e anos de uso
- Compare em watt-hora, não em amperes-hora
- Cada tecnologia tem o seu carregador, e não se trocam
- Para viajar: nome técnico correto, capacidade em Wh, e confirmação por escrito
Veja as baterias disponíveis, as cadeiras de rodas elétricas e as scooters. Diga-nos o modelo do equipamento e dizemos-lhe que baterias lhe servem.