Transferências

Como escolher um arnês para grua de transferência

O arnês é a peça que toca na pessoa. Pernas divididas ou tipo saco, que apoio de costas, que material — e como saber se o tamanho está certo.

Escolhida a grua, falta a peça que faz a diferença no dia a dia: o arnês — também chamado sling ou cadeira de transferência. É o que suporta o corpo e o que toca na pele.

A grua costuma vir com um arnês universal incluído. Serve para começar, mas raramente é o mais indicado para uma situação concreta. Um arnês mal adaptado causa desconforto, deixa a pessoa escorregar e pode magoar a pele.

Pernas divididas ou tipo saco

É a primeira decisão, e depende de quanto a pessoa colabora.

Pernas divididas — duas aberturas separadas, uma para cada perna. É o modelo mais comum e o que vem quase sempre incluído.

  • Coloca-se e retira-se mais depressa, sobretudo com a pessoa já sentada
  • A própria pessoa pode participar, ajustando as pernas
  • Dá mais liberdade de movimento
  • Facilita o acesso para a higiene íntima
  • Indicado para quem faz transferências frequentes e tem alguma mobilidade

Tipo saco — uma única abertura ampla para as duas pernas.

  • Apoia de forma contínua por baixo das coxas e das nádegas
  • Desliza melhor por baixo de quem está deitado, com menos fricção na pele
  • Indicado para pessoas acamadas, com rigidez muscular, sensibilidade à dor, ou quando a transferência tem de ser mais delicada
Arnês de pernas divididas comparado com arnês tipo saco Cada arnês visto de frente e de lado. No de pernas divididas, cada coxa tem a sua faixa, o espaço entre as pernas fica livre e de lado vê-se a faixa a envolver a coxa. No tipo saco, o tecido é contínuo por baixo das duas pernas e de lado forma um berço fechado onde as pernas assentam. DE FRENTE DE FRENTE DE LADO DE LADO Pernas divididas uma faixa por coxa, meio livre Tipo saco tecido contínuo, em berço
De frente vê-se o que muda entre as pernas; de lado vê-se a diferença de apoio. À esquerda, a faixa envolve cada coxa e o meio fica livre — daí o acesso para a higiene. À direita, o tecido forma um berço fechado por baixo das duas pernas.

Que apoio de costas

Depende de a pessoa conseguir, ou não, manter-se direita sozinha.

  • Dorso-lombar (encosto baixo) — apoia a zona lombar e as costas em baixo. Para quem tem boa estabilidade de tronco e de cabeça e só precisa de ajuda para o levantamento
  • Dorsal alto, até aos ombros — para quem tem estabilidade de tronco limitada mas controla a cabeça. Dá também mais sensação de segurança
  • Com estabilização da cabeça — encosto ainda mais alto, que envolve e suporta a cabeça. Para quem não tem controlo de tronco nem de cabeça, como em tetraplegia ou lesão medular grave. É o que mantém o alinhamento da coluna
  • Para amputados — desenhado para redistribuir o peso em segurança quando falta um ou os dois membros inferiores
Três alturas de apoio de costas no arnês Vistos de perfil, com a pessoa virada para a direita. O painel do arnês fica sempre atrás das costas: no dorso-lombar termina a meio das costas, no alto sobe até aos ombros, e no de estabilização de cabeça sobe um pouco acima da cabeça, servindo-lhe de encosto por trás. Nunca passa à frente do rosto. Dorso-lombar tronco e cabeça estáveis Até aos ombros tronco instável, cabeça controlada Com apoio de cabeça sem controlo de tronco nem de cabeça
Vistos de perfil, virados para a direita. O painel laranja é o arnês, sempre atrás das costas — sobe à medida que baixa o controlo postural, e no caso do apoio de cabeça serve-lhe de encosto por trás.

Que material

O material escolhe-se pelo sítio onde o arnês é usado e pela pele de quem o veste.

  • Poliéster — o padrão. Resistente, de baixo atrito, fácil de lavar e aguenta temperaturas altas. Para o uso diário, em seco
  • Malha de rede — deixa passar a água e seca depressa. Para transferências para a casa de banho e o duche. Evita que a humidade fique retida contra a pele
  • Malha plástica — não absorve água, é leve e resiste aos químicos. Para piscina e hidroterapia
  • Acolchoado — camada de enchimento macio sobre o tecido base. Para pele frágil, sensibilidade à pressão, ou quando a pessoa passa períodos longos no arnês

O tamanho, que é onde se erra

Um arnês do tamanho errado é perigoso, não é só desconfortável. O tamanho sai da tabela do fabricante, que cruza o peso com a circunferência dorsal — a medida à volta do peito e das costas.

Sinais de que está pequeno demais:

  • Aperta na virilha ou nas coxas
  • A pessoa parece apertada dentro dele
  • O gancho da grua fica demasiado próximo do corpo

Sinais de que está grande demais:

  • As nádegas projetam-se demasiado pela abertura do assento
  • O apoio das pernas fica muito perto da parte de trás dos joelhos, o que compromete a estabilidade

Duas regras de segurança

As alças. Muitos arneses têm as alças de ligação marcadas por cores, correspondentes a pontos de fixação diferentes. Use sempre a mesma cor dos dois lados — é isso que mantém o peso distribuído e a pessoa estável. Cores trocadas inclinam a pessoa para um lado.

A compatibilidade. O arnês tem de ser compatível com a grua que vai usá-lo: o sistema de fixação difere entre fabricantes, e o conjunto tem um limite de carga a respeitar. Siga sempre as instruções do fabricante, tanto da grua como do arnês.

Cada tipo de grua pede o seu arnês

  • Gruas de posição de pé — usam coletes ou cintos lombares, pensados para ajudar a pessoa a levantar-se e a dar alguns passos
  • Gruas de elevação horizontal — usam arneses em forma de maca, para elevar na posição deitada
  • Banho e higiene — malha de rede ou poliéster, de preferência de pernas divididas, pelo acesso que dão
  • Estatura e peso elevados — existem modelos bariátricos, dimensionados para o efeito

Em resumo

  • Pernas divididas para quem colabora; tipo saco para quem está acamado
  • O apoio de costas sobe conforme baixa o controlo de tronco e de cabeça
  • Rede para o banho, poliéster para o dia a dia, acolchoado para pele frágil
  • O tamanho vem da tabela do fabricante, e verifica-se na virilha e nos joelhos
  • Alças da mesma cor dos dois lados, sempre

Veja as gruas de transferência ou elevação e as restantes ajudas para transferências — ou o aluguer, se for por tempo limitado. Diga-nos o peso, a circunferência dorsal e o grau de controlo de tronco, e dizemos-lhe que arnês corresponde.

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