Cuidados
O que verificar antes de comprar equipamento em 2.ª mão
Onde está a poupança, o que se vê à vista desarmada, o que só se percebe a ligar, e o que a lei diz sobre a garantia de um bem usado.
Uma cama articulada usada custa uma fração de uma nova e está disponível amanhã, não daqui a três semanas. Para uma situação que apareceu de repente — uma alta hospitalar marcada para sexta-feira — isso resolve o problema.
O que muda em relação a comprar novo é que cada unidade é única e já teve uma vida. Vale a pena saber o que verificar.
Indicado para
Situações com pressa, orçamentos apertados, e necessidades que se sabem temporárias — um pós-operatório, uma recuperação. Também para quem precisa de um segundo equipamento, para uma casa de férias ou para o piso de baixo.
Não é o caminho quando o produto tem de corresponder ao que foi prescrito numa candidatura a financiamento: aí o orçamento tem de bater certo com a ficha de prescrição, e um usado raramente serve. Veja por onde começar um pedido de produto de apoio.
O que verificar
Antes de decidir, veja o equipamento a funcionar. É a diferença entre comprar bem e comprar duas vezes.
Numa cama articulada — que suba e desça até ao fim do curso, sem barulho e sem parar a meio; que as costas e as pernas articulem nos dois sentidos; que o comando responda a todos os botões, e não só a alguns; que as grades subam, tranquem e desçam sem forçar; que os rodízios travem.
Numa cadeira de rodas — que os travões prendam mesmo, com a pessoa sentada; que as rodas não tenham folga no eixo nem estejam empenadas; que os apoios de pés e de braços encaixem e fiquem firmes; que o estofo do assento não esteja afundado no meio, porque é aí que a pressão se concentra.
Numa cadeira elétrica ou scooter — a bateria é o que mais se gasta e o que mais custa a substituir. Pergunte a idade dela e veja a autonomia real numa volta, não a de catálogo.
Num colchão de pressão alterna — que o compressor arranque e faça o ciclo completo, que nenhuma célula fique vazia, e que não haja fugas nas ligações.
Segurança e manutenção
Há coisas que não se compram usadas, e não é por preciosismo. Almofadas e colchões de espuma perdem a capacidade de distribuir a pressão com o uso, e isso não se vê por fora — num equipamento antiescaras, comprar um que já perdeu a densidade é comprar o risco que se queria evitar. O mesmo vale para o que toca a pele diretamente e não se consegue higienizar a fundo.
Peça a rotulagem e as instruções do fabricante. Um equipamento usado continua a ser um dispositivo médico e continua a ter uma finalidade prevista, um peso máximo e precauções — que não deixam de valer por ser o segundo dono.
Garantia e assistência
Pela lei portuguesa, num bem móvel usado o prazo de garantia pode ser reduzido por acordo entre as partes, mas nunca para menos de 18 meses. Esse acordo tem de estar escrito — se não estiver, vale o prazo dos bens novos.
Na fatura, um bem em segunda mão segue o regime da margem de lucro, e por isso o IVA não vem discriminado. Não é falta de nada: é o regime que se aplica a estes bens, e confirma-se no orçamento.
Em resumo
Veja antes de decidir, e veja a funcionar. Pergunte a idade das baterias. Desconfie de espumas e estofos afundados. Confirme por escrito o prazo de garantia. E lembre-se de que a unidade é uma só — se lhe serve, não fica à espera.
Estamos disponíveis para marcar a visita ao equipamento antes de haver qualquer compromisso. Veja o que temos em 2.ª mão.